Natal Rock’n'Roll!!!


Daí que fiquei pensando no que falar ao fazer um post de Natal… não que eu tenha algo contra o Natal, de forma nenhuma. Acho bonito que a gente possa pensar nesta data como um momento de comunhão com a família, um momento para buscarmos refletir sobre o ano que está terminando e projetar energias para o novo ano que já acena pra nós!


Um momento em que podemos parar e refletir sobre nossa ligação com o divino (seja qual for sua crença e/ou religião). Um momento para entendermos que estamos conectados com o mundo que aí está. Que nossas ações provocam reações, hoje e sempre! Que podemos ser solidários e atuantes durante todo o ano e não somente nessa época.


E, nada melhor que uma boa música natalina para acompanhar esses momentos, certo? Sim! E, não!  Quem disse que você não pode curtir o Natal no ritmo que você quiser?


Sim… existe muita gente que curte as músicas tradicionais de Natal ou mesmo alguma música mais tranquila… mas, outros, não abrem mão do seu estilo rock’n'roll ou mesmo heavy metal! E é para esses “aficcionados” que eu tentei buscar uma seleção de músicas natalinas em arranjos pra lá de irreverentes….


O que vocês acham? Dá para colocar alguma delas na festa de família? Ou será que só vai gerar discórdia?










60 anos de vinil. Vida longa ao Long Play!


Quando eu tinha uns 16 ou 17 anos e morava em Portsmouth, lembro de um rapaz magrinho, alguns anos mais velho, com os dentes da frente separados, que jogava futebol tão bem quanto escolhia suas bandas para ser fã. O cara era DJ, da alta roda noturna na Terra da Rainha. Tinha estilo, fama e, por seguir à risca do ditado “diga-me com quem andas que eu te direi quem és”, escolhia a dedo seu círculo de confiança. Não sei por que cargas d’água aquele moleque esquisito gostou de mim mas nos tornamos grandes amigos. Amizade que eu só percebi o quão profunda era  quando ele, quietão mas estiloso me deu um vinil de presente. O meu primeiro LP foi o A Hard Day’s Night dos Beatles, mas esse é aquele que guardo a sete chaves: Never Mind the Bollocks, primeiro e único álbum do Sex Pistols.



Daí, para juntar quase mil vinis tão clássicos  quanto esse foi um pulo. Cresci cercado de LPs, todos catalogados por bandas, cobertos por aquele plástico grosso que amarelava com o tempo mas conservava o brilho original da capa.


Lembrar disso hoje passa longe de uma feliz coincidência. Há exatos 60 anos, a empresa Deutsche Grammophon lançava oficialmente o primeiro Long Play. O bolachão preto com um furo no meio, mesmo com o surgimento de novas mídias – e com elas novas maneiras de ouvir música – ainda tem seu espaço no coração daqueles que como eu admiram uma boa música cercada de arte por todos os lados.


Arte no sentido máximo da palavra: fazer um vinil não era nada fácil: o sujeito pensava na forma como apresentaria suas composições, contava sua história, que começava do lado A, dava gancho para o lado B e, como numa agremiação carnavalesca, encerrava seu desfile em grande estilo. Começo, meio e fim. Por último, mas não menos importante, pensava na capa, na contracapa, no encarte, no adesivo do centro e até em como ele ficaria na prateleira.  E estava feito a obra.


Em troca disso o grande público retribuía comprando o trabalho quase impossível de ser pirateado e rendia ao cantor discos de ouro, platina, platina duplo e até diamantes. O grande barato era sair da loja com uma sacola enorme e todo mundo sacar que, pelo tamanho, era um vinil. Chegar em casa e tirar o bolachão segurando pelas palmas das mãos, assoprar um pó imaginário, mirar o buraquinho do disco com o pino da vitrola, colocar o braço da agulha bem na pontinha do vinil  e esperar a música começar…


Álbum Conceitual?


A tecnologia permitiu uma interatividade que profana a obra original. Repetir uma música à exaustão ou mesmo, sem o mínimo remorso,  promover uma bagunça na ordem das canções fazendo com que a preferência  do ouvinte se sobreponha ao que o artista tem em mente é de doer o coração.


Minha filha mais velha, quando pequena, aprendeu a respeitar a grandiosidade do vinil ao ouvir The Wall, uma obra clássica do Pink Floyd que tem que ser ouvida na ordem original (a menos que se queira perder todo o sentido da coisa). Explicar para uma criança que nasceu em plena efervescência do CD que álbuns tem começo meio e fim é tão duro quanto explicar a teoria da relatividade a um coelho, mas quando entendem é gratificante.



 


Para entender a devoção que os amantes do vinil têm pelo bolachão…


… nem precisamos ir muito longe. O ano era 1982 e nascia o primeiro álbum de uma das bandas mais revolucionárias da história do Rock Brasil: a Blitz. Capitaneada por Evandro Mesquita e tendo na tripulação nomes como Fernanda Abreu e Lobão, a Blitz mostrou de forma bem didática, o quanto devemos respeitar o disco de vinil. Já na primeira faixa, Blitz Cabeluda, a banda apresentava seu grande feito:







Além disso, as duas últimas faixas, censuradas, foram riscadas manualmente com um prego em forma de protesto para demonstrar o tamanho da violência do ato. Não satisfeitos, fizeram duas capas em cores diferentes. Desta forma o fã poderia escolher qual levar para a casa.


Vocês que nasceram depois que o Brasil abraçou a democracia podem achar o que vou dizer bizarro, mas os militares, nos anos da ditadura, não deixavam os artistas se expressarem livremente e não eram raras as vezes que os LPs com músicas censuradas recebiam um risco na faixa subversiva, aleijando a obra e o disco.


Enquanto houver historias sobre vinil, haverá o vinil. O vinil está morto? Lógico que não. Vida longa ao Long Play.