Um Cinquentão do Rock!

“Um artista fundamental da história do Rock no Brasil” … não, não sou eu que estou dizendo isso. Quem falou isso foi  Selton Mello ou, pelo menos, é o que está escrito no site do Sr. Marcos Valadão Rodolfo.  Como assim, você não sabe quem é esse cara? Ah, tá… talvez você o conheça pelo seu apelido: Wolwerine Valadão… ou ainda, simplesmente por Nasi, o cara do Ira!


E, o cara do Ira, completou 50 anos no dia 23 de janeiro último!!!



Tudo bem que ele não faz mais parte do Ira desde 2007, mas é que, a história do músico Nasi (escrito com “s” que é para não ter nada a ver com o Nazismo mesmo) ficou estreitamente vinculada a história do grupo. E mesmo que ele tenha saído do grupo (de uma forma não muito amigável), ainda hoje muita gente confunde ou compara as trajetórias de ambos. Embora a gente não possa muito mais falar em trajetória do Ira depois do Acústico MTV (2004). A saída de Nasi foi talvez o “final strike” do grupo.


É até engraçado que, volta e meia, você encontra títulos de matérias em revistas ou sites usando esse trocadilho: A Ira de Nasi… ou … Nasi sem ira! (É… a criatividade mandou lembranças!!!!).


Enfim… a verdade é que Nasi deu sim sua contribuição para a história do rock nacional. E ultimamente, andou envolvido em trocentos trabalhos em inúmeras outras áreas. Seja como comentarista de futebol na Kiss FM (Programa 90 minutos) ou até mesmo virando ator e dublador.


Nasi se tornou personagem de desenho animado e foi o protagonista da série “Rockstar Ghost”, transmitida pela MTV Brasil. A série conta a história de um caçador de fantasmas, que trabalha na repartição pública AFFFE (Agência Federal de Fiscalização de Fenômenos Espectroplasmáticos), especializada em capturar celebridades musicais já mortas. Os mortos voltam à vida, quando um disco seu é tocado ao contrário.


Desenho animado muito divertido, diga-se de passagem!



Fez ainda o filme Sem Fio que… bom, veja o trailer:



Na área musical, Nasi continua na ativa. Seu último trabalho foi indicado ao Grammy Latino 2010, na categoria melhor álbum de rock (A gravação / mix ficou por conta do lendário Roy Cicala - que tem um dos mais invejáveis currículos da história do rock: John Lennon, Bruce Springsteen, David Bowie, Patti Smith, Aerosmith… e mais uma invejável lista de rock stars – e sócio do Record Plant de NY) e dizem por aí que ele deve lançar trabalho novo agora em 2012, com canções inéditas.


Vamos esperar então para ver se Nasi consegue se reinventar como ídolo do rock. Infelizmente, assim como acontece com o rock nacional, vivemos uma era “saudosista” e estagnada. Ultimamente, o que temos visto são entrevistas e mais entrevistas sobre como “eram os anos 80 e como fomos grandes” nessa época.


Referenciar-se no passado para criar algo novo e instigante é ótimo… mas quem vive espanando pó sobre algo acabado, é museólogo!

Nascer, viver, cantar, morrer!


Estava eu aqui escrevendo sobre uma “Musa” e fico sabendo de uma notícia sobre outra. O mundo dá voltas.


Janis Lyn Joplin nasceu no dia 19 de janeiro de 1943. Foi a “rainha do Rock’n'Roll” nos anos 1960 e considerada a maior cantora de blues e Soul de sua geração. Isso, na época em que esses títulos eram conquistados a duras penas. Etta Jammes (nascida Jemesetta Hawkins) nasceu cinco anos antes (1938) e foi embora hoje, dia 20 de janeiro de 2012. Apelidada de Miss Peaches, foi uma cantora americana de blues, R&B, jazz e gospel.


E, provavelmente, a vida dessas duas cantoras não teve nada de muito em comum, além da coincidência dessas datas, do uso abusivo de drogas e é claro, da música. Sempre é polêmico enaltecer artistas que fizeram uso de drogas… eu sei. E não pretendo aqui justificar tal ato. Mas, existe algo nessas pessoas que era maior do que a época em que viviam. Uma necessidade de sublimar a realidade ou talvez elevar a vida ao patamar da qualidade de suas vozes.


Separadas por quase uma década quando alcançaram o auge de suas carreiras, talvez essa tenha sido a grande diferença entre as duas… o tempo, a década em que viveram intensamente. (Vendo a foto acima a gente percebe como o contexto as difere radicalmente)


Se Etta Jammes conseguiu superar esse “estágio” e retomar os trilhos da vida (direcionando sua compulsão para a comida e chegando a pesar 200kg em um período da vida), Janis Joplin foi mais radical em suas escolhas e interrompeu sua trajetória em 1970 com uma overdose de heroína.


Mesmo com uma carreira tão curta, inscreveu seu nome na história de forma tão potente e marcante que ainda hoje é possível encontrar fãs apaixonados por sua atitude quando em cena. Forte, sensual, delicada, dolorida. Ver Janis Joplin cantar é ter a sensação de dor e prazer, ao mesmo tempo.



Um pouco antes de morrer, Janis esteve no Brasil. Coincidência adorável com outra cantora tão controversa quando ela: Amy Winehouse.  Mas ao contrário desta, ela não decepcionou quem esperava, na época, uma passagem cheia de “acontecimentos”. Durante a sua estada, fez topless em Copacabana, bebeu muito, cantou em um bordel, foi expulsa do Hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina e quase foi presa, pelas suas atitudes na praia, consideradas “fora do normal”. Hoje, poderíamos dizer que ela apenas seguiu a risca o que se espera, não é mesmo?


Como era época de carnaval, tentou participar de um desfile de escola de samba, mas teve acesso negado por um segurança que desconfiou de suas roupas “hippies” demais.



Etta James faleceu cinco dias antes do seu aniversário de 74 anos, vítima de leucemia e outras doenças, na Califórnia.


E, Janis Joplin? Se estivesse viva, completaria 69 anos. Um numero muito sugestivo para essa mulher que curtiu muito sexo, drogas e rock and roll. Sendo que foi o excesso de drogas que a levou daqui. Como estaria ela aos 69 anos? Beleza relmente não era seu maior atributo, mas aquela voz “turn on” qualquer um, e seus atributos fisicos poderiam ser esquecidos por alguns momentos. Será que ela ainda estaria cantando ou curtindo a aposentadoria num castelo no interior da Inglaterra, pois apesar de ser texana, seu estilo combinava muito mais com o castelo Clearwell, na Floresta de Dean, onde o Black Sabbath se fechou para criar e ensaiar o quinto álbum Sabbath Bloody Sabbath.


De qualquer forma, rola uma história de que as duas tenham se conhecido e que eram fãs uma da outra… eu não sei, nunca perguntei a nenhuma delas se era realmente verdade, mas eu encontrei ela sendo contada aqui nesse blog e repasso para vocês como eu li, afinal, não deixa de ser uma boa versão:




A estória da Etta Cruzando a Janis, ou a Janis cruzando a Etta (como queiram) é a seguinte: (Aliás, excuse moi, mas essa estória eu estava devendo pra Regina.)


Quando a Janis era uma adolescente e saiu de casa dos pais no Texas (fugiu, é o termo), ela foi pra Oklahoma e descobriu que a Etta James tava cantando num boteco na antiga route 66. Ela ia lá toda noite e ficava num cantinho, observando, quietinha. A Etta disse que reparou nela porque ela era branca. A única branquela do pedaço. Ela disse que nunca falou nada porque achou que a Janis era a filha do dono do bar. A Janis ia aos ensaios também e ficava olhando, olhando….


Depois já no final dos anos 60 os caminhos da Etta e da Janis se cruzaram novamente quando a Etta gravou um álbum com os mesmos músicos que gravaram os últimos dois trabalhos da Janis. A Etta estava em reabilitação por causa da heroína e numa das gravações em Hollywood ela não queria gente entrando e saindo do studio e por isso fez uma ‘closed session’. Quando começaram os ensaios ela notou uma mulher pequena num canto, com um chapelão escondendo o rosto e bebendo whiskey. Daí a Etta ficou puta e disse ‘essa tal aí não sabe que essa é uma ‘closed session’? E alguém disse ‘hey, man, aquela é a Janis Joplin..’. Depois a Janis se aproximou da Etta e perguntou se ela se lembrava dela no bar de Oklahoma e a Etta respondeu ‘claro que eu lembro!!’.


Essa estória está no CD Blues Down Deep – Songs of Janis Joplin, lançado pela House of Blues. Check it out! Lá você vai ouvir a Etta James prestando uma homenagem à sua mais famosa fã, interpretando lindamente, com aquele vozão, ‘Ball and Chain’.


E saio requebrando e cantando Janis ‘mama’ Joplin com voz fanhosa e desafinada..


……..’What good can drinkin’ do, what good can drinkin’ do ? Lord, I drink all night but the next day I still feel blue’…….



Quem quiser, que conte outra!


Natal Rock’n'Roll!!!


Daí que fiquei pensando no que falar ao fazer um post de Natal… não que eu tenha algo contra o Natal, de forma nenhuma. Acho bonito que a gente possa pensar nesta data como um momento de comunhão com a família, um momento para buscarmos refletir sobre o ano que está terminando e projetar energias para o novo ano que já acena pra nós!


Um momento em que podemos parar e refletir sobre nossa ligação com o divino (seja qual for sua crença e/ou religião). Um momento para entendermos que estamos conectados com o mundo que aí está. Que nossas ações provocam reações, hoje e sempre! Que podemos ser solidários e atuantes durante todo o ano e não somente nessa época.


E, nada melhor que uma boa música natalina para acompanhar esses momentos, certo? Sim! E, não!  Quem disse que você não pode curtir o Natal no ritmo que você quiser?


Sim… existe muita gente que curte as músicas tradicionais de Natal ou mesmo alguma música mais tranquila… mas, outros, não abrem mão do seu estilo rock’n'roll ou mesmo heavy metal! E é para esses “aficcionados” que eu tentei buscar uma seleção de músicas natalinas em arranjos pra lá de irreverentes….


O que vocês acham? Dá para colocar alguma delas na festa de família? Ou será que só vai gerar discórdia?










Eu fui um dos que chorou…

Pensei bastante… quero dizer, hesitei bastante antes de escrever este post. Por que? Ora, lembrar de certas coisas é lembrar também de atos violentos que as causaram. E, a coisa que menos me passa pela cabeça quando me lembro ‘dele’ é violência.

Dia 08/12, fez 31 anos do assassinato ‘dele’.

31 anos.

E, mesmo após 31 anos eu me emociono em pensar no momento em que recebi a notícia de que ‘ele’ havia sido assassinado.

Eu estava viajando na época. Estava na Califórnia, fazendo um mochilão e me preparando para voltar ao Brasil quando ouvi a notícia no rádio: Mark Chapman havia acabado de fazer os cinco disparos.

Sem pensar muito, juntei todo o dinheiro que tinha no bolso e me vi entrando em um ônibus. 2.436 milhas, ou seja, 02 dias e meio de viagem. 02 dias e meio tentando imaginar o “porque” de uma pessoa dar 05 tiros em outra assim, sem nenhum motivo (se é que existe realmente algum motivo que possa justificar um assassinato! ). 02 dias e meio repassando mentalmente toda uma coleção sonora na minha cabeça (naquele tempo não havia mp3, 4, 5, 215!). 02 dias e meio em estado de choque. Sem esboçar nenhuma reação muito grande. Só pensando e pensando.

Vozes na cabeça? Divulgar O Apanhador no Campo de Centeio? Vingar-se das declarações dele dizendo que era mais popular que Jesus? Deixar de ser um Zé-ninguém? Eram várias as “desculpas”, “teorias” e “invenções” para justificar o acontecimento. Ainda hoje várias teorias conspiratórias são discutidas para justificar o injustificável.

A entrado do Edifício Dakota

02 dias e meio depois eu cheguei lá. Na entrada do edifício ‘dele’. No lugar em que ‘ele’ havia sido morto por outro alguém.

Encontrei milhares de pessoas consternadas. Percebendo que uma era havia acabado. E então, eu chorei. Na verdade, eu fui UM dos que chorou. Apenas um naquela multidão de gente que se sentia abandonado e ferido pela partida tão repentina do nosso querido John Lennon.

Mas, assim como ele pensava/lutava por um mundo melhor, eu também prefiro lembrar dele não pela morte, mas sim pelo que ele deixou para a vida:

Close your eyes

Have no fear

The monster’s gone

He’s on the run and your daddy’s here

(…)


Before you go to sleep
Say a little prayer
Every day in every way
It’s getting better and better

 



Rock in Rio, que coisa mais linda!


Dizem que quem vê cara não vê coração. E vou te falar, o metal pode ter cara feia, mas faz muito bonito. O Angra é aquela coisa tecnicamente quase perfeita, a ainda trouxeram a belíssima Tarja (Turunen ex-Nightwish) e fizeram mais bonito ainda.

O Sepultura não deixou a peteca cair e mostrou um show animal que ofuscou até o palco principal (aí, Glória, fica pra próxima, ok?) e na minha opinião era lá que eles deveriam estar.

Se Tarja tem uma beleza diferente, exótica para nós, ela foi muito bem-vinda,  porque depois só veio bicho feio como o Lemmy e o Claudio Sanchez - da banda com nome complicado (Coheed and Cambria) e que tem aquele cabelo horrível!

Os caras Slipknot se escondem por de trás das máscaras por que são feios? Pois parece que não são tão feios assim. Pode ser que ali sejam umas carrancas ali embaixo, mas a alma roqueira permanece nesse bando de louco. Aliás, achei sensacional o circo do rock que eles fizeram – tanto que eu acho que não é necessário ser metaleiro para curtir o que os caras aprontaram no palco do Rock in Rio.

E por falar em Slipknot, o Corey Taylor poderia ensinar ou dar aulas de personal trainer para a Kate Perry (ainda não me conformo), né? Porque taí um cara que sabe pular e cantar por 1h30 sem prejudicar o espetáculo.

Mas beleza mesmo estava por vir…


O show mais aguardado da noite atrasou mas não decepcionou: Metallica duas horas de uma aula em que eles ensinaram como se faz um bom rock n’ roll. O palco estava quase pelado, mas com 4 caras tocando como se fosse a última vez na vida, não é preciso muita traquitana.

Pra encerrar fogos, bombas cenográficas, efeitos enlouquecedores. Depois do show do Metallica, tudo o que desejo é sorte para as demais bandas que irão se apresentar. Para fazer um show mais belo do que esse, elas irão precisar.

Rock (finalmente) In Rio

A segunda noite do Rock in Rio foi a primeira que pôde ser chamada de rock. Antes da transmissão o Jornal Nacional mostrou os problemas de violência e logística enfrentado pelos loucos por música. Vale lembrar que a Globo é parceira do RIR, e teve cotas de patrocínio vendidas por ela. Nunca é bom falar algo que contribua negativamente com o evento que de certa forma se está patrocinando, mas soube separar editorial de comercial. Parabéns. Parabéns também para os organizadores, que souberam reagir com rapidez. O problema de violência do Rio de Janeiro é responsabilidade do governo, não dos organizadores. E com relação a questão dos ônibus primeira classe superlotados, é uma questão cultural de querer sempre levar vantagem.

Também finalmente Beto Lee pode comentar sem constrangimento. Imagino como deve ter sido difícil falar que o show da Katy Perry foi no mínimo razoável(ainda não me recuperei). Tô vendo o RIR pelo Multishow o que o pessoal está chamando no twitter de Rock In Casa.

NX Zero, pareciam um pouco nervosos, mas mandaram bem, não deve ser fácil enfrentar 100.000 pessoas que a princípio não estavam la para vê-los, mas eles souberam levar super profissionalmente, e como o Di falou, foi o melhor presente de 10 anos que poderiam receber.



Nunca tinha ouvido, mas gostei desse Stone Sour. Pesado e tecnicamente muito bom. Gostei mesmo, vou escutar mais depois.
Então veio o melhor: Capital Inicial. O que falar desses caras que são recordista de RIR (desde a segunda edição). Sou suspeito, pois pra mim eles estão entre as 5 melhores bandas nacionais de todos os tempos. Mas independente disso, fizeram um show de rock de verdade. Principalmente com o discurso do Dinho antes de tocar “que país é esse”….Ele mostrou para que serve o rock: contestar, mobilizar e mudar. Parabéns Dinho e cia. Vocês são duca!


Não tava afim de ouvir a patrulha da neve, e fui ver mais um episódio de Dexter (isso é o melhor do Rock in Casa). Quando voltei, pensei que o show do Coldplay tinha sido antecipado. Acho que era a penúltima música, sei lá. Cara, parecia música do marido da Gwyneth Paltrow. Juro, mesma tocada. E meu pai que insistia em dizer que as musicas do Iron Maiden eram todos iguais… Aqui as músicas de 2 bandas parecem iguais. Deve ser esse gênero. Enfim, não vou falar desses caras, pois não conheço o som deles.

E que showzaço do Red Hot Chilli Peppers, sou fã dos caras. Uma das melhores coisas que surgiu nos anos 80. Continuam mandando muito bem. A cara de psicopata do Anthony Kiedis é demais, Flea é um louco virtuose,e esse guitarrista novo (tá com a banda faz uns 2 anos) é bom pra cacete também. Clássicos e músicas do novo álbum. Ainda tiveram a generosidade de fazer um tributo ao filho da Cissa Guimarães, não precisava, mas foi bonito pacas!



Valeu a pena dormir na sala. Não quis acordar a patroa quando acabou o show. Como fiquei eletrizado com o show, acabei vendo mais dois episódios de Dexter.
Sobre a noite do metal…amanhã eu conto.

Rock In Rio – Pop In Rio

Prometi pra Sra Hummingbird, que não ia criticar o Rock in Rio. Realmente é difícil criticar um evento dessa magnitude e feito com muito tesão pelos seus organizadores… não tenho dúvidas. E mesmo as poucas falhas divulgadas durante o dia são absolutamente perdoáveis, pois controlar cem mil loucos por música não é fácil.

Mas chamar de Rock o que Claudia Leitte canta é muita sacanagem! Mesmo sendo um purista, até aceito que alguns outros gêneros possam ser chamados de rock. Mas axé não é rock. Axé é axé. E não há nada de errado nisso. Eu respeito quem faz e quem gosta…seja qual for o gênero. E respeito e admiro não só a beleza, como a voz, o talento e a performance da Claudia Leitte. Por isso, até o fim do show dela, iria atender ao pedido da minha querida esposa (fá de Claudia Leitte), e não fazer nenhum comentário sarcástico. Até porque falar mal dessa beldade fica difícil… tava vidrado no corpo dela.


Mas ai veio o pior. A tal de Katy Perry. Reconheci as músicas pois sou obrigado a escutá-las às  6h30 da manhã ao levar uma das minhas filhas pra escola. Vale registrar que sempre acordo de bom humor, mas quase o perco quando essa filha mexe no dial do rádio. Só não fico de mau humor porque minha filha é linda!

Voltemos à Katy que, como não é linda como a Claudia e nem como minha filha, eu vou descer a lenha. Ela tentava cantar e pular. Caraca, parecia um disco de vinil com a agulha suja! Se não sabe, faz como eu, não faz nada e se limita a falar mal…. Então, ela bem que podia se concentrar e parar de trocar de tanta roupa e tirar bonecos de dentro de uma caixa. E, veja bem, o problema não era da técnica de som, pois as backing vocals cantavam muito bem.

Ela só conseguiu ir até o final, pois sabia a letra inteira… mas só faltava não saber.

Vou dar uns dois conselhos pra moça e obviamente ela não irá saber que dei: ou canta ou pula. Mas se quiser mesmo continuar pulando… vá ter aulas com a Claudia. Ela sabe, as exuberantes pernas de Claudia são uma prova disso!

P.S. O melhor show do dia foi Titãs e Paralamas juntos… foi duca, com muitos clássicos de ambos… eles sim deveriam estar no horário nobre do RIR.

P.S.2 Infelizmente não aguentei ver o show do Elton John, mas me dizem que foi bem até o final quando começaram a gritar pela Rihanna – cara, isso não se faz com uma lenda com Sir Elton!

P.S.3 Também não vi o show da Rihanna, mas esse não dá pra lamentar.

#TocaRaul

Raul Seixas. Foto: © Thereza Eugênia

Mancada, hein? Passou o dia 21 de agosto e não escrevi sobre  Raul Seixas. Eu tinha 19 anos quando ele morreu e estava em Salvador fazendo vestibular de inverno, acabei vendo a coisa lá e digo para vocês: a morte do Raul tinha acontecido muito tempo antes disso.


Opa, não me linchem, já explico!


Para quem conheceu Raulzito depois de ficar famoso como parceiro do (ugh!) Paulo Coelho, parece que o cara sempre esteve no auge. Outro dia até li numa revista uma galera entrevistando o Roberto Medina sobre o Rock in Rio e perguntando se ele se arrependia de não ter convidado o Raul para o evento de 1985. O cara disse que na época se pautava no que tocava na Fluminense FM (A Maldita, uma história que eu conto outro dia!), mas a gente sabe que o cantor baiano estava em plena decadência.


Não, ele não era a Amy. Lembro de uns amigos que foram num show em São Bernardo (no ABC) em 1983 e o Raul apareceu lá tão chapado e doido que a galera começou a quebrar o lugar achando que era um engodo. Quem vê hoje no youtube o vídeo Metamorfose Ambulante e ouve Há Dez Mil Anos Atrás acha que ele sempre esteve no auge, mas sua carreira teve momentos obscuros de ostracismo – era tipo um Van Gogh, um cara genial que só teve sua obra reconhecida depois da morte.



Quem trouxe o Raul para um último suspiro musical foi o Marcelo Nova (o Camisa de Vênus), que era um grande fã e apostou suas fichas numa última chance para o cara com a música Cowboy Fora da Lei, um sucesso relativo do tempo em que música que era tema de novela (Brega & Chique) ganhava o público. O disco foi lançado em 1989, dois dias antes da morte do Raul.



Nada de ficar sentado “no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar“, tem que fazer – e hoje!

Toca Raul!

60 anos de vinil. Vida longa ao Long Play!


Quando eu tinha uns 16 ou 17 anos e morava em Portsmouth, lembro de um rapaz magrinho, alguns anos mais velho, com os dentes da frente separados, que jogava futebol tão bem quanto escolhia suas bandas para ser fã. O cara era DJ, da alta roda noturna na Terra da Rainha. Tinha estilo, fama e, por seguir à risca do ditado “diga-me com quem andas que eu te direi quem és”, escolhia a dedo seu círculo de confiança. Não sei por que cargas d’água aquele moleque esquisito gostou de mim mas nos tornamos grandes amigos. Amizade que eu só percebi o quão profunda era  quando ele, quietão mas estiloso me deu um vinil de presente. O meu primeiro LP foi o A Hard Day’s Night dos Beatles, mas esse é aquele que guardo a sete chaves: Never Mind the Bollocks, primeiro e único álbum do Sex Pistols.



Daí, para juntar quase mil vinis tão clássicos  quanto esse foi um pulo. Cresci cercado de LPs, todos catalogados por bandas, cobertos por aquele plástico grosso que amarelava com o tempo mas conservava o brilho original da capa.


Lembrar disso hoje passa longe de uma feliz coincidência. Há exatos 60 anos, a empresa Deutsche Grammophon lançava oficialmente o primeiro Long Play. O bolachão preto com um furo no meio, mesmo com o surgimento de novas mídias – e com elas novas maneiras de ouvir música – ainda tem seu espaço no coração daqueles que como eu admiram uma boa música cercada de arte por todos os lados.


Arte no sentido máximo da palavra: fazer um vinil não era nada fácil: o sujeito pensava na forma como apresentaria suas composições, contava sua história, que começava do lado A, dava gancho para o lado B e, como numa agremiação carnavalesca, encerrava seu desfile em grande estilo. Começo, meio e fim. Por último, mas não menos importante, pensava na capa, na contracapa, no encarte, no adesivo do centro e até em como ele ficaria na prateleira.  E estava feito a obra.


Em troca disso o grande público retribuía comprando o trabalho quase impossível de ser pirateado e rendia ao cantor discos de ouro, platina, platina duplo e até diamantes. O grande barato era sair da loja com uma sacola enorme e todo mundo sacar que, pelo tamanho, era um vinil. Chegar em casa e tirar o bolachão segurando pelas palmas das mãos, assoprar um pó imaginário, mirar o buraquinho do disco com o pino da vitrola, colocar o braço da agulha bem na pontinha do vinil  e esperar a música começar…


Álbum Conceitual?


A tecnologia permitiu uma interatividade que profana a obra original. Repetir uma música à exaustão ou mesmo, sem o mínimo remorso,  promover uma bagunça na ordem das canções fazendo com que a preferência  do ouvinte se sobreponha ao que o artista tem em mente é de doer o coração.


Minha filha mais velha, quando pequena, aprendeu a respeitar a grandiosidade do vinil ao ouvir The Wall, uma obra clássica do Pink Floyd que tem que ser ouvida na ordem original (a menos que se queira perder todo o sentido da coisa). Explicar para uma criança que nasceu em plena efervescência do CD que álbuns tem começo meio e fim é tão duro quanto explicar a teoria da relatividade a um coelho, mas quando entendem é gratificante.



 


Para entender a devoção que os amantes do vinil têm pelo bolachão…


… nem precisamos ir muito longe. O ano era 1982 e nascia o primeiro álbum de uma das bandas mais revolucionárias da história do Rock Brasil: a Blitz. Capitaneada por Evandro Mesquita e tendo na tripulação nomes como Fernanda Abreu e Lobão, a Blitz mostrou de forma bem didática, o quanto devemos respeitar o disco de vinil. Já na primeira faixa, Blitz Cabeluda, a banda apresentava seu grande feito:







Além disso, as duas últimas faixas, censuradas, foram riscadas manualmente com um prego em forma de protesto para demonstrar o tamanho da violência do ato. Não satisfeitos, fizeram duas capas em cores diferentes. Desta forma o fã poderia escolher qual levar para a casa.


Vocês que nasceram depois que o Brasil abraçou a democracia podem achar o que vou dizer bizarro, mas os militares, nos anos da ditadura, não deixavam os artistas se expressarem livremente e não eram raras as vezes que os LPs com músicas censuradas recebiam um risco na faixa subversiva, aleijando a obra e o disco.


Enquanto houver historias sobre vinil, haverá o vinil. O vinil está morto? Lógico que não. Vida longa ao Long Play.




 

Parabéns a um cara mais louco que o Batman: Gene Simmons

GENE SIMMONS

 

Se o mundo fosse um grande condomínio, nesta quinta (25/08) poderíamos ouvir um Parabéns à você em no mínimo três apartamentos importantes: o de Elvis Costelo (57 anos), Rob Halford, vocalista do Judas Prist (60 anos) e Gene Simmons. De todos eles, o que certamente receberia uma visita nada amigável do síndico por conta do barulho da festa seria esse último ai, o vocalista, fundador, mentor e guia espiritual do Kiss que, na quinta-feira completou 62 anos mas com encrencas de 27.

Não interessa por onde você queira começar, a vida de Gene Simmons sempre foi bem movimentada, principalmente por não conseguir deixar aquela grandessíssima língua quieta dentro da boca. Basta ver a história do tributo do Michael Jackson para o qual o Kiss foi convidado para encarar o line up do tributo do falecido e dias depois a  organização descobriu que o próprio Gene havia afirmado – com a convicção de um criminalista do CSI – que não tinha duvidas que Michael era pedófilo. Não deu outra: a banda saiu da lista das atrações na mesma velocidade em que entrou.

Só quem conheceu o cara sabe que ele é o tipo de cara papo firme, com certificado de autenticidade embutido. Um figura com o qual se passa horas ouvindo suas histórias sem se importar se são verdadeiras ou não. Já topei com Gene um par de vezes, o suficiente para saber que ele é mais louco que o Batman e o que é mais interessante – de cara limpa.  Diz ele e, nessas horas, quem sou eu para duvidar que, mesmo sendo do mainstream do classic rock, nunca consumiu drogas, nem fumou, nem bebeu até cair.



Qual homem que você conhece que, aos 62 anos tem seu próprio programa de TV, seu próprio selo, já leiloou uma pedra de seus rins, faz parte de uma das bandas de rock mais influentes do Sistema Solar, revolucionou o mundo da música de cara limpa  e não dá nem ares de se aposentar? Parabéns pro cara, se não pelo seu aniversario, pelos seus anos de vida vividos intensamente.