
Estava eu aqui escrevendo sobre uma “Musa” e fico sabendo de uma notícia sobre outra. O mundo dá voltas.
Janis Lyn Joplin nasceu no dia 19 de janeiro de 1943. Foi a “rainha do Rock’n'Roll” nos anos 1960 e considerada a maior cantora de blues e Soul de sua geração. Isso, na época em que esses títulos eram conquistados a duras penas. Etta Jammes (nascida Jemesetta Hawkins) nasceu cinco anos antes (1938) e foi embora hoje, dia 20 de janeiro de 2012. Apelidada de Miss Peaches, foi uma cantora americana de blues, R&B, jazz e gospel.
E, provavelmente, a vida dessas duas cantoras não teve nada de muito em comum, além da coincidência dessas datas, do uso abusivo de drogas e é claro, da música. Sempre é polêmico enaltecer artistas que fizeram uso de drogas… eu sei. E não pretendo aqui justificar tal ato. Mas, existe algo nessas pessoas que era maior do que a época em que viviam. Uma necessidade de sublimar a realidade ou talvez elevar a vida ao patamar da qualidade de suas vozes.
Separadas por quase uma década quando alcançaram o auge de suas carreiras, talvez essa tenha sido a grande diferença entre as duas… o tempo, a década em que viveram intensamente. (Vendo a foto acima a gente percebe como o contexto as difere radicalmente)
Se Etta Jammes conseguiu superar esse “estágio” e retomar os trilhos da vida (direcionando sua compulsão para a comida e chegando a pesar 200kg em um período da vida), Janis Joplin foi mais radical em suas escolhas e interrompeu sua trajetória em 1970 com uma overdose de heroína.
Mesmo com uma carreira tão curta, inscreveu seu nome na história de forma tão potente e marcante que ainda hoje é possível encontrar fãs apaixonados por sua atitude quando em cena. Forte, sensual, delicada, dolorida. Ver Janis Joplin cantar é ter a sensação de dor e prazer, ao mesmo tempo.
Um pouco antes de morrer, Janis esteve no Brasil. Coincidência adorável com outra cantora tão controversa quando ela: Amy Winehouse. Mas ao contrário desta, ela não decepcionou quem esperava, na época, uma passagem cheia de “acontecimentos”. Durante a sua estada, fez topless em Copacabana, bebeu muito, cantou em um bordel, foi expulsa do Hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina e quase foi presa, pelas suas atitudes na praia, consideradas “fora do normal”. Hoje, poderíamos dizer que ela apenas seguiu a risca o que se espera, não é mesmo?
Como era época de carnaval, tentou participar de um desfile de escola de samba, mas teve acesso negado por um segurança que desconfiou de suas roupas “hippies” demais.

Etta James faleceu cinco dias antes do seu aniversário de 74 anos, vítima de leucemia e outras doenças, na Califórnia.
E, Janis Joplin? Se estivesse viva, completaria 69 anos. Um numero muito sugestivo para essa mulher que curtiu muito sexo, drogas e rock and roll. Sendo que foi o excesso de drogas que a levou daqui. Como estaria ela aos 69 anos? Beleza relmente não era seu maior atributo, mas aquela voz “turn on” qualquer um, e seus atributos fisicos poderiam ser esquecidos por alguns momentos. Será que ela ainda estaria cantando ou curtindo a aposentadoria num castelo no interior da Inglaterra, pois apesar de ser texana, seu estilo combinava muito mais com o castelo Clearwell, na Floresta de Dean, onde o Black Sabbath se fechou para criar e ensaiar o quinto álbum Sabbath Bloody Sabbath.
De qualquer forma, rola uma história de que as duas tenham se conhecido e que eram fãs uma da outra… eu não sei, nunca perguntei a nenhuma delas se era realmente verdade, mas eu encontrei ela sendo contada aqui nesse blog e repasso para vocês como eu li, afinal, não deixa de ser uma boa versão:
A estória da Etta Cruzando a Janis, ou a Janis cruzando a Etta (como queiram) é a seguinte: (Aliás, excuse moi, mas essa estória eu estava devendo pra Regina.)
Quando a Janis era uma adolescente e saiu de casa dos pais no Texas (fugiu, é o termo), ela foi pra Oklahoma e descobriu que a Etta James tava cantando num boteco na antiga route 66. Ela ia lá toda noite e ficava num cantinho, observando, quietinha. A Etta disse que reparou nela porque ela era branca. A única branquela do pedaço. Ela disse que nunca falou nada porque achou que a Janis era a filha do dono do bar. A Janis ia aos ensaios também e ficava olhando, olhando….
Depois já no final dos anos 60 os caminhos da Etta e da Janis se cruzaram novamente quando a Etta gravou um álbum com os mesmos músicos que gravaram os últimos dois trabalhos da Janis. A Etta estava em reabilitação por causa da heroína e numa das gravações em Hollywood ela não queria gente entrando e saindo do studio e por isso fez uma ‘closed session’. Quando começaram os ensaios ela notou uma mulher pequena num canto, com um chapelão escondendo o rosto e bebendo whiskey. Daí a Etta ficou puta e disse ‘essa tal aí não sabe que essa é uma ‘closed session’? E alguém disse ‘hey, man, aquela é a Janis Joplin..’. Depois a Janis se aproximou da Etta e perguntou se ela se lembrava dela no bar de Oklahoma e a Etta respondeu ‘claro que eu lembro!!’.
Essa estória está no CD Blues Down Deep – Songs of Janis Joplin, lançado pela House of Blues. Check it out! Lá você vai ouvir a Etta James prestando uma homenagem à sua mais famosa fã, interpretando lindamente, com aquele vozão, ‘Ball and Chain’.
E saio requebrando e cantando Janis ‘mama’ Joplin com voz fanhosa e desafinada..
……..’What good can drinkin’ do, what good can drinkin’ do ? Lord, I drink all night but the next day I still feel blue’…….
Quem quiser, que conte outra!