As lâmpadas fluorescentes gastam até 80% menos energia, mas essa consciência ecológica vai toda pelo ralo na hora do descarte: 95% delas vão parar em locais inadequados, com aterros e lixões, gerando perigo para a saúde. O maior risco está no contaminação de rios e do lençol freático por mercúrio, metal tóxico usado na sua fabricação.
Há mais de um ano, a Lei de Resíduos Sólidos determina que os comerciantes, fabricantes e importadores devem recolher e dar o destino correto às lâmpadas. Mas o tema acabou ficando apenas na discussão dentro do setor e a lei não saiu do papel.
As associações que reúnem fabricantes e importadores querem que o comércio tenha postos de coleta onde os consumidores entregariam as lâmpadas usadas. Uma associação sem fins lucrativos faria o transporte e a descontaminação, recebendo dos fabricantes R$ 0,40 por lâmpada vendida – custo que seria incrementado no preço que pagamos pelas lâmpadas. O governo está avaliando quanto vai sair a mais do bolso da população e estima que o programa de descarte comece até o fim do ano.
Está certo pagar um pouco mais para ter o descarte correto dos produtos que consumimos. Mas a conta deve ser justa e dividida entre todos os envolvidos nessa cadeia produtiva.
Cabe ao governo avaliar bem a questão para que o custo repassado para o preço das lâmpadas não seja alto demais ao ponto do consumidor desistir de optar pelas fluorescentes e voltar a comprar as incandescentes, que gastam mais energia. Sem contar a fiscalização, que vai ter que funcionar para que empresas que não cumpram as normas entrem com lâmpadas mais baratas no mercado. Porque de nada adianta resolver um problema e voltar a ter outro. Como diria a nossas avós, é como cobertor curto, cobre a cabeça e destapa o pé.

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Quem deve pagar o custo pelo descarte correto de lâmpadas? http://t.co/VGblzi64