Podem criticar e debater filosofia, mas se o moço do hit “Delícia” (o paranaense Michel Teló) está vendendo como água e criou a “Macarena” do século XXI, quem se importa de fato em discutir se a música é ou não retrato da cultura brasileira? A aceitação popular – se possível acompanhada de vendas e de fama – é o objetivo da maioria dos artistas e dos envolvidos com o show biz.
E, ao que tudo indica, pouco importa para alguns artistas se o CD que tocava suas músicas na sua festa de reveillon era original ou uma cópia:
“O que eles querem é arrebatar público para os shows. A barraquinha de camelô acaba prestando um serviço de divulgação, oferecendo o material desses artistas a um público mais abrangente. Perder parte da arrecadação das vendas de CDs, nestes casos, pode ser um bom negócio: funciona como instrumento cultural ao permitir acesso e projeção. E alguns artistas não têm medo de dizer: querem mais é ser pirateados.”
Nesta semana uma reportagem trazia os ecorockalistas do Cachorro Grande como exemplos dos que não temem a divulgação e até tiram proveito dela para divulgar seu trabalho. Seu novo álbum, lançado no início de dezembro, na internet, de olho no volume de público nos shows que o mercado paralelo pode trazer. “Só Roberto Carlos deve fazer dinheiro com venda de discos no Brasil. A gente ganha pra viver fazendo show. É isso que dá tesão. Queremos que escutem, cantem, não importa a forma como nosso produto é adquirido”, disse Beto Bruno, vocalista do grupo.
Se a pirataria não incomoda, por que então optar pelo download gratuito? Não é tudo a mesma coisa?
O download gratuito é uma forma de garantir que as músicas serão copiadas mantendo a qualidade do trabalho – prejuízo provocado pela pirataria. A gente – e creio que vocês também – agradece!

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O que é melhor: vender discos ou lotar shows? http://t.co/1cyUVyHu